quarta-feira, 3 de março de 2010

Ontem eu quase consegui dizer eu te amo para outra pessoa. Mais foi quase. Dai eu comecei né: primeiro soltando o 'eu' devagar, e quando eu me atrevi a prever o que eu iria soltar, eu constatei que eu só tinha dito isso apenas uma vez para alguém. E foi para você. Me veio o seu nome na cabeça, e as histórias que escrevemos juntos. O 'quase' receptor do meu eu te amo, percebeu que eu engasguei e perguntou o que havia acontecido, eu deitei no colo dele e chorei. Incrível, não? Depois de um tempo, ele pegou nas minhas mãos e me disse que um quase já é um grande passo. Cheguei em casa, constrangida, me lembrando de como fui feia fazendo aquilo com uma pessoa que talvez pudesse ser quem meu coração procurava a tanto tempo. Comecei a me remoer por dentro achando que minha estupidez havia sido causa de todos esses desencontros que eu ando encontrando por dentre as coisas que eu gostaria de falar. Minha fala sempre embola, minha mente também. Eu nunca fui muito boa com as palavras ditas, sempre preferi escrever do que falar pessoalmente. Para você, principalmente. Eu me perdia no brilho dos teus olhos quando começava a falar, e tudo que eu gostaria e queria que soubesse (que o mundo inteiro entendesse) , acabava sempre ficando por dizer. Sempre. O brilho dos teus olhos tomava conta de onde estávamos e não havia espaço para mais nada. Por muito tempo esse brilho me cegou. Eu via apenas as tuas cores. Cores florescentes, coloridas. Eu te chamava de meu céu e falava que nossas brigas eram as tempestades que todo céu teria que passar, e as nossas reconciliações eram nosso arco íris. Recompensas por ter visto pela janela, tantas vezes, o azul do céu indo embora e a escuridão vindo tomar conta. Colorido, exatamente como seu astral. Hoje eu vejo as pessoas pretas e brancas como a visão de um cachorro. Me sinto como se vivesse nos anos 60 vendo aquelas novelas sem beijos e abraços porque na epoca acaba se tornando 'vulgar'. Minhas vistas estão embaçadas. Me sinto como uma velha - que viveu 50 anos ao lado de alguém e que segurou na mão do seu amor, e o viu partir com ele, todo a sua vida. Mas você não morreu. Você está aqui. Aquele que eu conheci e aprendi a admirar e direcionar minha visão, não é o mesmo que as embaçou. Pois eu sinto falta daquele que eu conheci, não daquele que se foi. Só não volte, meu amor. Meus braços estão fechados e eu não vou poder mais te receber de braços abertos. Minhas mãos estão ocupadas, tentando encontrar pelo caminho os meus pedaços que você fez eu perder.

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