O que fazem as pessoas, não são o que elas são fisicamente, nem o que elas dizem, mais sim quem elas realmente são. (...)
Uma vez, disseram isso pra ela. Não.
Acho que disseram isso mais de uma ou duas vezes. Não se tem notícias da quantidade, ao certo. Só se sabe que ela ouviu.
Porque, de uma forma irrelevante, esqueceram de que ela não havia partido para a estrada. Nem havia a conhecido, ainda.
Esqueceram que ela não havia dado nem o primeiro passo, e consequentemente, ela não teria aprendido o que só se aprende caminhando: A OUVIR. 'Não só por ouvir', mais traduzir -ou pelo menos tentar- o significado do que se ouve.
Os que falaram, esqueceram de avisar. Os que estavam do lado ouvindo tudo, esqueceram de lembrar os que disseram, e os que sofreram com os erros dela, esqueceram de que os que a avisaram, esqueceram de lhe falar o principal.
Esqueceram. Simplesmente por não saberem, que era a primeira vez que ela havia conhecido o mundo.
Porque antes dela partir. Antes dela partir de dentro de si - para dentro dos outros - , ela era só tinha que preocupar-se consigo mesma. E isso é fácil. Porque as consequencias eram só dela, e não havia o medo e nem a preocupação de machucar alguém.
E os que esqueceram. Acusaram e,
Mais não só acusaram.
Jogaram pedras.
Não só jogaram pedras e acusaram,
jogaram pedras, acusaram e de uma forma esquecida, não lembraram de que eles proprios ja haviam errado no primeiro passo.
E ao cair, ela aprendeu a levantar-se sem a ajuda de ninguém. E nesses aprenderes, aprendeu principalmente que o principal da vida, ninguém nos avisa.
E que quando ela for dizer isso a alguém, ela vai esquecer de avisar também -como haviam esquecido de lhe avisar.
, porque não se lembra mais, como se aprende a ouvir.
Só ouve, segue e pronto,
A-s-s-i-m,
sempre se esquecendo...